Universo Invisível – Matéria publicada no Caderno Viver com Saúde do Jornal NH – Segunda 09.12.2019

Na maior parte do tempo não lembramos que nosso corpo abriga uma multidão de seres microscópicos! Tratam-se de trilhões de bactérias que formam um microbioma e compõe principalmente nossa flora intestinal.

É essencial à absorção, assimilação e transformação dos nutrientes ingeridos na alimentação, mas a importância do microbioma vai além de seu  papel na digestão eficiente dos alimentos pois afeta o bem estar do organismo como um todo. Entre outras funções, participa da produção de enzimas, vitaminas, ácidos graxos, substâncias bactericidas, antioxidantes, estando ainda envolvido na regulação do sistema imunológico, controle da população de bactérias patogênicas que entram no organismo pelo nosso contato com o mundo externo e produção de 90% da serotonina, neurotransmissor promotor da sensação de bem estar e felicidade.

Uma alimentação centrada em produtos industrializados e embutidos por ser rica em gorduras e açúcares refinados e pobre em fibras, favorecem o surgimento de alterações na flora intestinal. Além disso, fumo, estresse, depressão, uso excessivo de antibióticos, corticoides e laxantes são potencialmente capazes de diminuir a população de bactérias benéficas e aumentar o de bactérias patógenas. Esse desequilíbrio no microbioma intestinal é chamado de disbiose que, por sua vez, inativa enzimas digestivas, reduzindo a capacidade de absorção de nutrientes, levando à carências nutricionais, instabilidade no sistema fome/saciedade, aumento do peso corporal e processos inflamatórios intestinais desde eventuais e leves até os crônicos e sérios como, por exemplo, a colite, a SII-síndrome do intestino irritável e a doença de chron.

Os sintomas mais frequentes na disbiose são: náuseas, gases estomacais e intestinais, diarreia, prisão de ventre, inchaço abdominal, dores de cabeça, energia baixa, indisposição, queda de cabelo, unhas fracas, acne. Para tratá-la é essencial reequilibrar o microbioma realizando ajustes alimentares com substâncias probióticas e prebióticas. Probióticos são bactérias saudáveis presentes no intestino, enquanto que prebióticos são fibras que servem de alimento à elas, favorecendo assim sua sobrevivência e proliferação.

Probióticos: começam a formação da flora intestinal desde os meses iniciais do bebê através do leite materno. Principais fontes alimentares: iogurte natural, kefir, leite fermentado.

Prebióticos: presentes em alimentos ricos em fibras especialmente as que contêm oligosacarídeos, frutoligosacarídeos (FOS) e inulina, como: cereais integrais (aveia), vegetais folhosos, frutas com casca, legumes (feijão, lentilha), cebola, alho, banana verde, biomassa de banana verde.

Podem também ser consumidos na forma de suplementos em cápsulas ou líquidos e sachês para serem diluídos em água ou sucos naturais. Mas lembre-se, é essencial o acompanhamento de um profissional para avaliar a necessidade, ou não, da suplementação e, nesse caso, prescrever o tipo e a quantidade adequada para cada pessoa.

Entretanto, o melhor caminho para manter seu microbioma saudável é manter uma alimentação equilibrada, ingestão suficiente de água e prática regular de atividade física. Agindo assim você permitirá que esse universo microscópico que habita em você continue silencioso e invisível pois não precisará manifestar-se em seu corpo  através de sintomas e desconfortos.